Crítica | Taylor Swift traz uma nova faceta em seu novo álbum “Folklore”

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Capa do novo álbum de Taylor Swift (Imagem: Divulgação).

Desde que saiu do country, Taylor Swift nos acostumou com músicas pop com batidas que logo se tornavam hits nas paradas e caíam na boca do povo. Ano passado a cantora trouxe ao mundo seu sétimo álbum de estúdio, o “Lover”, que fez muito sucesso nos charts e também em vendas (principalmente nos Estados Unidos). O lead single “ME!” em parceria com Brendon Urie do “Panic At The Disco!” chegou ao segundo lugar da Billboard Hot 100, e foi barrada do #1 pelo hit “Old Town Road” de Lil Nas X, assim como o segundo single do álbum, a canção “You Need To Calm Down.

Em geral o álbum “Lover” não teve um grande hit, “ME!” fez um sucesso tremendo em seu primeiro dia de lançamento no YouTube, com mais de 60 milhões de visualizações em 24 horas, mas depois de 1 ano, o clipe ainda não chegou aos 400 milhões de views. Apesar do sucesso, a única música que tocou bastante aqui no Brasil foi a romântica “Lover”. Em fevereiro deste ano Taylor lançou o clipe da faixa “The Man” e assim encerrou a bem sucedida Era “Lover”. Depois disso veio a pandemia, e o mundo mudou, todos entramos em um momento de reflexão com nós mesmos e podemos fazer uma análise sobre tudo.

Na última quinta-feira Taylor abalou o mundo Pop com o anúncio do seu oitavo álbum de estúdio para o dia seguinte. Assim como “how i’m feeling now” de Charli XCX, o “Folklore” de Taylor também foi feito durante a quarentena, mas já tinha tido umas pinceladas no ano passado.

A estética do álbum é bem nórdica, com paisagens ambientadas em bosques e muito a cara do inverno (embora nos EUA seja verão, rsrs). Trazendo uma versão mais sombria de Taylor, o “Folklore” representa muito o momento atual do mundo, cheio de medos e incertezas no meio de um caos.

Embora não tenha grande divulgação e não ser tão comercial, o álbum está fazendo muito sucesso, mostrando mais uma vez a força do nome Taylor Swift. Todas as 16 canções estrearam no Top 16 do Spotify dos Estados Unidos e no Top 20 do Spotify Global. O primeiro single do álbum é “cardigan” e o belíssimo clipe dirigido pela própria Taylor, com uma produção de arrepiar feita durante a quarentena, conseguiu mais de 15 milhões de visualizações em 24 horas.

Folklore” traz algumas das raízes de Taylor como compositora e até mesmo uma canção country, mas mostrando uma face madura da cantora com músicas em um estilo quase indie, bem instrumentadas com pianos e belíssimos vocais. A única colaboração do álbum é a canção “exile” em parceria com Bon Iver, que já foi anunciada como próximo single e essa semana já será enviada para as rádios americanas.

O álbum em si é consideravelmente grande, com 16 músicas e um tempo total de 1h3min, e basicamente uma sonoridade linear calma que segue todo o percurso do álbum. Todas as canções têm lindas letras e uma belíssima instrumentação, mas se você ouvi-lo entediado, certamente irá dormir na metade dele, pois é reto, sem músicas dançantes, e um pouco cansativo. Algumas canções certamente são muito fracas dentro da obra como um todo, e não te convidam a ouvi-las novamente. Apesar de ser um pouco cansativo, de maneira nenhuma é chato e as letras são uma obra a parte; é deveras um trabalho cheio de esmero e atinge seu objetivo dentro das limitações atuais. Existe uma grande inteligência por trás da própria organização da tracklist e é um álbum para ser apreciado em todos os detalhes.

Análise Faixa a Faixa:

the 1 – apesar da letra excelente, a canção facilmente poderia passar despercebida se não fosse a faixa de abertura do álbum. Não é uma música ruim, de maneira alguma, mas é uma música que é somente gostosinha de ouvir. Nota 3,5/5

cardigan – essa com certeza é uma das melhores canções do álbum, escolhida a dedo para ser o “lead single”. Uma música belíssima que transmite muitas sensações e que mesmo com uma sonoridade linear, consegue se destacar. 4,5/5

the last great american dynasty – Taylor conta a história de Rebekah, uma mulher fora dos padrões da sociedade. Uma bela narrativa em forma de música, mas certamente não é uma música que eu procurarei escutar novamente. 3/5

exile (feat. Bon Iver) – um lindo dueto, com uma letra arrepiante. O som do piano traz uma emoção a mais, e os vocais dos dois artistas casaram muito bem. É um dos destaques do álbum. 4/5

my tears ricochet – um início de arrepiar, lembra músicas clássicas alternando com uma letra esplêndida onde ela canta “Se eu estou morta para você, por que você está no velório?”. A produção da canção é belíssima com um lindo coro de fundo. 5/5

mirrorball – entra para o top 5 do álbum. Uma música simples e ao mesmo tempo muito rica em todos os sentidos. Traz uma calma enorme e ao mesmo tempo te faz mergulhar em seu som nostálgico. 4,5/5

seven – imagino que essa música inspirou o nome do álbum, porque é perceptível que tem algo de muito pessoal aqui. No entanto, é uma faixa que fica um pouco apagada pela pegada mais intimista. 3/5

August – a nostálgica canção nos traz um imediatamente em mente aquele amor de verão que gostaríamos que tivesse durado para sempre. Bela produção e os vocais muito bem colocados, e até aqui talvez seja a música com mais nuances dentro do álbum. 4,5/5

this is me tryng – novamente temos uma canção com uma bela letra, lindo som, mas esquecível. 2,5/5

illicit affairs – se tivesse que apontar uma música chata no álbum, certamente seria essa. 2/5

invisible string – não é um destaque mas condiz com a letra: simplória e bonita. 2,5/5

mad woman – a letra aborda um pouco do que os homens fazem com as mulheres tentando colocá-las como loucas, erradas e umas contra as outras, e esse é o ponto forte da música juntamente com o piano. 2/5

epiphany – é uma ótima canção de ninar, e isso não é algo ruim se você percebe que consegue sentir o clima que a música traz, e a sua emoção. 2,5/5

Betty – a simpática canção country aborda a insegurança e o desejo de se redimir com aquela pessoa que amamos e é um alívio depois de tantas músicas enjoativas seguidas. 3/5

Peace – bonita mas esquecível. 2/5

hoax – a pior do álbum, a letra não tem nada do que você já não tenha visto e você sente vontade largar a música pela metade de tão chata. 1,5/5

Nota para o álbum: 6/10 – não é um álbum ruim, de forma alguma, mas as músicas da segunda metade são só mais do mesmo, belas batidas, letras legais, mas cansativas e entediantes, faltou uma maior flexibilidade nesse álbum, uma abertura para explorar músicas com mais nuances. A segunda metade ficou engessada. Mas dê uma chance para o “Folklore” e ouça uma segunda vez se você já ouviu uma, ele tem uma estética belíssima e músicas que te farão sentir um aconchego de inverno americano.

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