Crítica | Novo álbum de Charli XCX ‘how i’m feeling now’ te proporcionará momentos selvagens de boa música

0
79
Charli XCX na capa de seu novo álbum "how i'm feeling now" (Foto: Divulgação)

Desde o lançamento de seu último álbum no ano passado, intitulado “Charli”, a cantora Charli XCX ganhou um olhar mais atento da crítica e do público em geral, isso porque além de ter sido aclamado com uma nota alta no metacritic (80/100) ainda foi muito bem recebido pelos fãs e o álbum foi tido pelos críticos como o futuro do pop. As músicas são recheadas de batidas de sintetizadores para dar o tom robótico e futurista que é a proposta do álbum já na capa.

Charli realmente mostrou que está um paço à frente no quesito produção musical, e ficou nítido que essa tendência deve se espalhar e ser algo mais presente no futuro próximo, e fará um bom contraponto com outros ritmos e estilos. Espero que nãos seja a única tendência pois apesar de ser incrível, num primeiro momento causa uma estranheza e para o mais desinformado, não passará de um chiado, uma barulheira, uma verdadeira poluição sonora. De fato se você ouve esse estilo de música que a cantora retorna a utilizar em seu mais recente lançamento, o álbum “how i’m feeling now”, no fone de ouvido em volumes altos, corre o risco de ficar surdo em pouco tempo. Ele foi produzido em questão de semanas, no isolamento social de Charli em sua casa, e o resultado são músicas com sons fortes, selvagens e incríveis.

É uma pegada muito interessante, pode ser até viciante, mas você certamente cansará de ouvir as músicas repetidamente, isso porque os sintetizadores poderosos com tons robotizados vão incomodando aos poucos. O título do álbum “como estou me sentindo” nos remete ao que se passa na cabeça de Charli nessa quarentena, e de fato algumas canções deixa, claro isso. Mas algumas faixas parecem estar ali só para preencher um álbum, com composições frágeis e pobres. Porém, felizmente no geral ele te prende pela identificação de sensações que todos já devemos ter sentido, te faz se sentir adolescente preso em um quarto com alguém, experimentando nuances de um relacionamento e da rotina de prisioneiro dentro da sua própria casa, nos remetendo a essa situação da pandemia.

As músicas mais envolventes são “forever” e “claws”, elas têm uma pegada romântica ao passo que te fazem dançar, nem que seja com os pés com a cabeça. O álbum no geral flutua entre as mais limpas e abertas como “7 years”, às mais poluídas como a faixa de abertura “pink diamonds”. Você certamente vai curtir se estiver disposto a experimentar um novo conceito de música pop.

Análise faixa a faixa:

pink diamond – uma batida forte que traz uma letra uma tanto quanto rasa e que serve somente para ouvir em momentos de surto na quarentena. 6,0/10

forever – a segunda canção traz uma alívio sonoro e a letra agrega uma valor a mais a ela. Se antes Charli queria se “sentir uma puta” agora ela traz a suas expectativas pouco esperançosas para o futuro com o seu amado. 9,5/10

claws – a cantora traz mais de seus sentimentos de apego com liberdade ao mesmo tempo, ela ama mas sabe que é livre e se deve sair da vida do amado. A música é deliciosa e tem uma batida que prende logo de início, apesar de o refrão ser repetitivo, não cansa. Você percebe que Charli sabe como seguir uma proposta sem torná-la algo exaustivo. 10/10

7 years – a faixa não traz nada de novidade em sua letra, mas é uma bonita forma de declarar seu sentimento de amor e gratidão. A sonoridade tem várias nuances e até aqui é menos cativante, a não ser que você esteja se sentindo na vibe que ela trás. Nota: 6,5/10

detonate – a letra é extremamente simplória e é mais do mesmo, mas é uma música envolvente que te faz  sentir vontade de ouvir mais uma vez. 7,5/10

enemy – “inimigo” nos contempla com uma letra mais original e ao mesmo tempo clichê, mas você pode sentir muita verdade nela, porque a faixa é uma dança perfeita com a parte lírica e formam uma ótima combinação simples e sincera. Nota: 7,0/10

i finally understand – a letra carregada de mensagens subliminares é um tipo muito verdadeiro e pode ser considerada a mais descontraída do álbum até aqui. “Finalmente compreendo” ela canta, em meio a uma mistura de sensações que preenchem uma relação, aqui ela está pronta para se entregar sem medo. As batidas são boas, e é uma canção para ouvir e sentir uma nostalgia nessa quarentena. Nota: 6,5/10

c2.0 – a letra dessa música é extremamente pobre e repetitiva ao exagero, e a gente nunca sabe aonde ela quer de fato chegar. A faixa é de longe a mais fraca do álbum e pouco cativante. Nota: 3,5/10

party 4 u – felizmente um alívio lírico que realça o brilho que o álbum teve no início, a nona faixa do álbum certamente vai ajudar muitos corações partidos, apesar de não ser uma música que necessariamente fará você chorar. Nota : 7,5/10

anthems – a faixa traz o sentimento de Charli nessa quarentena, é uma forma perturbada de dizer o que passa pela cabeça de muita gente em meio a essa pandemia. Ela te dá vontade de vibrar muito para expulsar demônios como o medo. Nota: 7,5/10

visions – a última faixa do álbum encerra o total de 11 músicas com uma batida forte e dançante que te fará dançar, cantando sobre memórias e romances. Nota: 8,0/10

No geral o álbum é uma obra muito bem-vinda nessa época na qual estamos vivendo, mas certamente se encaixaria para qualquer época, pois não é algo fechado com letras taxativas e datadas. Você certamente se identificará com as músicas em qualquer situação que esteja vivendo, a menos que você esteja se sentindo um bom solteiro ou casado há 10 anos.

As músicas trazem sentimentos de muitos jovens em meio a tantos problemas, porém se perde as vezes em tentar dizer a mesma coisa com palavras diferentes, e muitas vezes muito repetitivas. Não é um álbum cansativo e certamente te fará levitar um pouco e esquecer o mundo ao redor. A intenção dela logicamente é expor seus sentimentos, mas também levar um momento de leveza e alegria para os fãs.

Nota: 7,0/10

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

*

code