Crítica | Lady Gaga convida a todos para cair na pista de dança em “Chromatica”

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Lady Gaga (Foto: Divulgação)

Lady Gaga lançou nesta sexta-feira (29) seu sexto álbum de estúdio, intitulado “Chromatica”, remetendo à combinação de sons e cores, algo que ficou bem claro no clipe do lead single que abriu os trabalhos há 3 meses, “Stupid Love”.

Gaga trabalhou três singles até o momento, o citado “Stupid Love”, a promissora parceria com Ariana Grande “Rain On Me”, lançada na semana passada, e o faeturing com o grupo coreano BLACKPINK “Sour Candy

Nós do “ADTV” analisamos faixa por faixa do álbum e fizemos um apanhado geral do contexto dele até aqui.

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Capa oficial do novo álbum de Lady Gaga (Foto: Divulgação)

Tudo começou em janeiro com rumores do Lg6, se referindo ao sexto álbum de estúdio da cantora, algo que foi se confirmando aos poucos. No final daquele mês fomos surpreendidos com o vazamento de uma faixa, suposto lead single “Stupid Love”. Porém Gaga só veio a se pronunciar tempos depois e em fevereiro confirmou “Stupid Love” como o carro-chefe de seu novo álbum. Depois dela vieram o hit “Rain On Me” com Ariana Grande e “Sour Candy” com Blackpink.

Análise Faixa por Faixa:

Chromatica I – O álbum se inicia com uma intro instrumental forte, que parece nos transportar por o início de uma jornada em outra dimensão, o mundo “Chromatica”. Nota: 4,5/5

Alice a transição entre a intro e a primeira faixa com letra é fantástica, casando muito bem. A canção é um pop dance poderoso, talvez seja a melhor do álbum, abrindo com o pé direito a tracklist. As batidas e os coros são extremamente envolventes e nos remete ao melhor do disco dos anos 80/90 com um refrão forte e ao contrário de seus recentes singles, tem várias camadas e nuances que a enriquecem fortemente. A letra é um grito de esperança: “não sou Alice, mas estou procurando o país das maravilhas. Nota: 5/5

Stupid Love – apesar de ser um pouco desconexa do álbum como um todo, a canção tem fortes arranjos não é de forma alguma chata e linear como outras faixas do “Chromatica”. Ela estabelece um bom contraponto com a proposta de Gaga até aqui, pedindo o amor estúpido de seu amado.  Nota: 4/5

Rain On Me – a parceria com um nome forte como Ariana Grande já promete só de refletirmos a grandiosidade dessas duas grandes divas do pop. Porém essa música não é a mais dançante e muito menos a mais rica liricamente. “Rain On Me” traz pegadas do pop oitentista e mantém uma boa conexão com “Alice”, e a letra parece mesmo a sucessora de “Stupid Love”, de forma mais superficial. A linearidade dessa música é algo que incomoda, pois ela só preenche algumas expectativas nos segundos finais, onde o potencial vocal das duas também é melhor explorado. Nota: 3,5/5

Free Woman – Lady Gaga se sente uma mulher livre na quinta faixa do álbum,e a letra é um destaque positivo, e a música talvez seja a mais dançante até aqui. Porém ela deixa a impressão de ser um remix de uma faixa mais bem produzida e menos carregada, mas é uma ótima pedida para as baladas. Nota: 3,0/5

Fun Tonight – essa música provavelmente serve a melhor letra até aqui. Os vocais poderosos de Gaga e a forte entrada do primeiro refrão reforçam o resgate de Lady Gaga em suas raízes, e o primeiro pré-refrão lembra muito músicas de sucesso dos anos 2000, com uma queda antes da explosão que dá o pontapé para a música deslanchar de vez. Nota: 5/5

Chromatica II – o segundo instrumental do álbum anuncia a chegada da segunda parte dele. Essa música que evolui em ritmo alucinante, nos deixa eufóricos para o que vem por aí nas próximas faixas. Nota: 5/5

911 a transição do instrumental para essa canção é perfeita e nos vemos envolvidos rapidamente pelo fato de a letra ser cantada rapidamente, como acontecia com grandes sucessos do século passado. Gaga canta que é a sua maior inimiga enquanto frenéticas batidas e belos coros vão nos guiando com pegadas fortes de disco. É uma entrada perfeita para uma nova etapa proposta pela jornada de Gaga através do “Chromatica”. Nota: 5/5

Plastic Doll – é a faixa que demora mais a cativar a atenção por remeter a algo já escutado de uma forma mais bem elaborada. Os vocais são os grandes aliados da diva nessa instável produção, que tem o lado positivo de não ser linear. Cada nova entrada e saída de refrão nos presenteia com uma alternância forte na constância da música, o que parece uma canção do Artpop mais elaborada e menos ruidosa. A letra é um show a parte aqui. Nota – 4,5/5

Soul Candy – Gaga parece ter ficado com medo de investir nas músicas de parceria, pois esta colaboração com o grupo BLACKPINK soa como uma canção introspectiva com poucas arriscadas, e novamente trás aquela sensação de já ser conhecida aos ouvidos por seguir a linha da zona de conforto. A canção contém o mesmo sample de “Swish Swish” de Katy Perry, que é original de uma outra música. Em alguns momentos parece que a música finalmente vai decolar, o que não acontece. E a letra é um banho de água fria para a continuação de Plastic Doll. Nota: 2,5/5

Enigma – a letra não contém nada de criativo e trás mais do mesmo. A canção em algumas partes se assemelha a uma recente produção da cantora Dua Lipa. E o refrão nos leva novamente para o disco dos anos 80. Ela não oferece nada de novo e sua insistência em utilizar uma seguir uma tendência já utilizada de forma praticamente idêntica soa como se ela estivesse se segurando em algo que sabe que não tem erro. Poderia ser uma das melhores do álbum se não traçasse um caminho tão explorado. Nota: 3,0/5

Replay – “As cicatrizes da minha mente estão no replay” ela canta. Nesta faixa Gaga explora uma profundidade dentro de seus próprios sentimentos em uma de suas melhores composições nesta jornada. A canção é ruidosa e é a mais entediante até aqui. Nota: 3,0/5

Chromatica III – este curto instrumental anuncia que o final da jornada se aproxima e faz uma perfeita transição com a música seguinte. Nota: 3,5

From Above – esta parceria com o renomado cantor Elton John tem explosões quase gritantes que dão um tom vibrante imprescindível a ela. Com uma mistura de vigor e nostalgia, essa realmente é a melhor colaboração de Gaga no álbum, e só não é perfeita pela desnecessária pulsação frenética em batidas desenfreadas nos segundos finais. Nota: 4,5/5

1000 Doves – essa canção certamente soa como balada do álbum, a letra profunda é transmitida de forma de batidas bem conduzidas pelo Techno e pelo dance. Não é uma das melhores, mas certamente está longe de ser uma das piores. Nota: 4,0/5

Babylon – a letra soa manjada e a canção em si, sem comentários, o refrão é uma cópia quase idêntica do sucesso “Vogue” de Madonna. Podemos encarar como uma “homenagem” ou um resgate, mas isso deveras compromete um pouco o fechamento do álbum, além disso todo o caminhar da música soa como uma demo resgatada dos anos 80 e reproduzida sem o menor cuidado de encaixar proposta do álbum, que trazia interessantes contrastes até aqui. Certamente é uma música para se jogar e que te envolve rapidamente, mas repetindo uma receita acertiva do passado? Poderia somente enaltecer o som poderoso e os vocais estonteantes para reviver uma discoteca dos anos 80, não fosse o fato de eu saber que a música foi raptada de lá para a contemporaneidade (rsrs). Nota: 2,5/5

“Chromatica” certamente tem tudo para se consagrar na carreira de Lady Gaga. De fato ele é um convite para atravessarmos uma verdadeira jornada de escapismo de nossa realidade e também de nostalgia, por nos jogar de volta às pistas de dança dos anos 80, ou simplesmente dançarmos freneticamente no chuveiro. O álbum em si contém muitos acertos e alguns tropeços bem significativos. Você percebe que o início, por mais fraco que seja em algumas canções, é algo que soa como original, por conter a força das batidas e dos vocais conhecidos de Lady Gaga. Mas ao final dessa jornada, é perceptível que Gaga se utiliza de fórmulas já testadas e aprovadas, que certamente deixaria Madonna ultrajada diante de tamanho medo de sair da zona de conforto nas faixas finais. “Babylon” soa como uma clonagem de “Vogue” e isso parece mais um apelo para agradar os charts, do que para despertar nossa memória afetiva, ou simplesmente trazer uma música já testada e aprovada por várias gerações para o público jovem que desconhece a original de Madonna.

No geral, o “Chromatica” soa como o irmão bem sucedido e controlado do “Artpop”, uma vez que as batidas desconexas e confusas do álbum de 2013 ganham maturidade e uma devida linearidade nos sentido de cativar sem precisar estar apelando para as ruidosas e instáveis pulsações frenéticas que mais soam como apelo do que realmente arte. Gaga utiliza composições profundas em meio a letras fracas e medianas. A única colaboração realmente grandiosa presente no álbum é a ótima “From Above” com Elton John, as outras se apresentam extremamente fracas e poderiam passar despercebidas em uma versão solo, ou talvez ganhassem mais destaque, o fato é que mais uma vez soa como apelo às paradas e utilização de nomes fortes da indústria em meio a uma sonoridade um tanto quanto genérica para causar frissom.

De uma coisa você pode ter certeza, não é um álbum para ouvir e ficar parado. Rapidamente irá te tirar de momentos de tristeza e serve como ótimo refúgio nessa quarentena e em qualquer momento difícil que esteja passando. É um passo positivo na carreira de Lady Gaga, que soube dar a identidade visual que este trabalho precisa.

Nota: 4/5 – Muito Bom

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